Liberdade e depressão

Liberdade e depressão caminham juntas, de mãos dadas.

Pode parecer surpreendente que um dos bens mais significativos e valorizados de nossa civilização – a liberdade – uma vez alcançado seja causa de um mal tão amargo e disseminado como o transtorno psiquiátrico comumente denominado depressão nervosa.

Contudo o motivo é bastante óbvio. A liberdade implica em assumir toda a sorte de responsabilidade. Responsabilidade por nossos atos, por nossas escolhas, por nossas atitudes e omissões, por nossos sucessos e fracassos.

Sem liberdade não somos donos de nossos destinos. Temos sempre a quem atribuir a causa de nossos infortúnios. Os culpados são os outros que tolhem nossa liberdade: nossos pais, nossos professores, nossos patrões, as autoridades governamentais e até nossos vizinhos.

Em vez disso, quando libertos somos responsáveis pelo que nos acontece. Se somos bem-sucedidos em nossas iniciativas – nas relações familiares, nas relações amorosas, nas relações sociais, na vida profissional, na vida financeira, na busca pela fama, etc. – nos sentimos “esse cara sou eu”.

Porém se malsucedidos, não temos a quem culpar senão a nós mesmos. Com isso tem-se início um processo de questionamento que começa com a autocrítica e pode evoluir para a autocondenação e autoflagelação e resultar na tão mal afamada depressão.

Muitas pessoas sabem que a liberdade cobra um alto preço existencial. Por isso a dispensam. Preferem se ver subjugados por um cônjuge dominador, um chefe “mandão”, um líder autoritário ou um governo de força, do que assumir o peso da autodeterminação e o risco de fracassar.

Em “O medo à liberdade”, Erich Fromm já discorria sobre esse aspecto do caráter humano. E explicava porque o medo à liberdade era responsável por grande parte do sucesso dos governos autoritários, a exemplo do fascismo e do nazismo.

Isto não significa termos que abrir mão de nossa liberdade para evitar sermos afetados por esse transtorno de humor. O indicado é que aprendamos a conviver conscientes e de boa vontade com as limitações impostas à nossa liberdade pessoal, sejam elas originárias de leis, de costumes, das autoridades constituídas ou, simplesmente, do direito dos demais.

Pois, assim fazendo não só seremos melhores cidadãos, menos conflituosos e mais produtivos, como estaremos reduzindo a probabilidade de sermos acometidos por tão insidiosa patologia.

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